Câmara de Quissamã abre trabalhos e eleição da Mesa ainda repercute

Marcinho Pessanha (C) vai presidir a Câmara no bienio 2021/2022 - Foto: Taís Tavares

Luiz Costa

O ano legislativo de 2021 na Câmara Municipal de Quissamã foi aberto na tarde desta quarta-feira (3). Além de aprovar as comissões permanentes para este ano, a sessão serviu para mostrar que, apesar dos novos rostos – apenas dois vereadores do último mandato foram reeleitos, Alexandra Moreira (PSC) e Leone Cordeiro (MDB), a dinâmica das sessões segue sem alteração, com a troca de farpas entre oposição e situação. Em silêncio desde a disputa pela presidência da Casa, no dia 1° de janeiro, quando saiu vitorioso, Marcinho Pessanha (MDB) fez um discurso pregando a união entre os parlamentares, sem esquecer, no entanto, de citar alguns detalhes dos bastidores envolvendo a composição de sua chapa para a Mesa Diretora.

– Toda disputa deixa arranhões. No dia da eleição, preferi me silenciar. Foi ventilado que não houve diálogo. Isso não procede. Dois dias depois do primeiro turno, em novembro, fiz uma reunião na minha casa. Cássio (Reis) aceitou ceder a vaga de 2° secretário, se fosse necessário. Reclamaram da inclusão de Lopinho, sendo que ele foi procurado também pela outra chapa. Não há nada errado, é do jogo democrático. Teve gente que ‘questionou’ o voto que recebemos de Alexandra. Alguns oportunistas tentaram confundir a população, seja nas esquinas ou nas redes sociais, como se fossemos oposição. Quando Fátima foi derrotada em 2012, segui firme ao lado dela. Após a vitória, em 2016, participei do seu governo e me empenhei para a reeleição. Se mudasse de lado, seria como percorrer uma maratona inteira e parar justamente na hora de cruzar a linha final. Jamais vou admitir que meu nome seja maculado, minha história fala por mim – frisou Marcinho.

Sem a presença de público, na prevenção ao coronavírus, a sessão foi transmitida pela TV Câmara, na página oficial do Legislativo no Facebook. Primeira a falar, por ordem definida em sorteio, Simone Flores (DEM) fez um balanço de suas ações em janeiro, com destaque para encontros com o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano; e com o governador em exercício Cláudio Castro, tendo como pauta principal a implementação de um Centro de Imagens no município.

Janderson Chagas (DEM) ressaltou que vai defender a bandeira da segurança pública e um trabalho em parceria com o Executivo, “sem esquecer o papel fiscalizador que deve ser exercido pelo vereador”. Emocionado, lembrou a trajetória do Tenente Fragas, que faleceu no último domingo. “Ele me trouxe para trabalhar aqui no município e deixa um legado que sempre será lembrado”, pontuou.

Rildo Barcelos (PSC) falou da necessidade de melhorias na iluminação pública do Sítio Boa Vista e da recuperação dos redutores de velocidade na estrada de Machadinha, no trecho de Santa Catarina. Citou ainda a polêmica envolvendo a abertura das comportas do Canal das Flechas, cobrando explicações da Colônia de Pescadores Z-27.

A Colônia Z-27 também foi alvo de Alexandra Moreira (PSC), que apresentou ofício pedindo informações, como número de pescadores profissionais cadastrados, valor de contribuição cobrado a cada um, arrecadação dos últimos cinco anos, bens móveis e imóveis adquiridos no mesmo período e funcionamento da estação de rádio de Barra do Furado. Aproveitou ainda para citar a arrecadação da Prefeitura de Quissamã, de 2017 a 2020, que teria superado a casa de R$ 1 bilhão, sendo R$ 330 milhões apenas no ano passado.

Ailson Barreto (DEM) destacou as ações da Educação na primeira gestão da prefeita Fátima Pacheco, sem esquecer das indiretas à oposição. “Não podemos ter medo de gritos, nem de falas agressivas. Sou da Educação, história que me orgulha muito. Há 20 anos, eu era do grito e entendi que era preciso mudar. Hoje, prefiro o diálogo, a escuta, e entro nessa casa cheio de esperança”, disse.

Mazinho Batista (Republicanos) fez um discurso centrado na importância do entendimento e desejou sucesso à Mesa Diretora no biênio 2021-2022. “Vou exercer fielmente o cargo que me foi confiado, legislando, fiscalizando e buscando melhorias para o nosso município. Farei o que estiver ao meu alcance, principalmente nas áreas de Agricultura, Saúde e Educação”, comentou.

Candidato à presidência da Casa, derrotado por Marcinho, Fábio Castro (Republicanos) frisou que a população está cansada “de políticas que não trazem resultado”, e defendeu essa tese com a renovação de 80% na Câmara, na última eleição. “O quissamaense deu o seu recado na forma que ele espera que a Câmara atue. Precisamos de uma pauta com assuntos relevantes”, completou.

Cássio Reis (MDB) também abordou a eleição da Mesa Diretora. “Não chego passando por cima de ninguém. A disputa foi um processo natural, democrático. Minha lealdade foi questionada. Em 2012, após a derrota no pleito municipal, segui firme com o grupo de Fátima. A vitória veio em 2016. Tenho palavra, isso é fundamental. Temos e teremos divergência, mas devemos ser maduros e visar o que é melhor para Quissamã. A cidade precisa muito da gente. O resultado precisa chegar. Prezo o respeito e quero ser respeitado. Vou continuar defendendo o esporte e entrar firme na questão do desenvolvimento e do turismo”, acrescentou o 2° secretário.

Reeleito, Leone Cordeiro (MDB), que é 1° secretário da Mesa, disse ter orgulho de representar a ‘roça’ e falou do uso do chapéu no plenário. “Não há desrespeito. É um compromisso com o meu grupo, uma característica de muitas pessoas que represento”, ponderou. Citou o empenho para que o município ganhe um espaço coberto para feirantes e artesãos; sistema de monitoramento por câmeras e construção de poços artesianos nas localidades sem água encanada.

O vice-presidente Adeilson Lopinho (PP) foi objetivo em sua fala. “O mal existe, entra e faz estrago enquanto a verdade não chega. Ninguém sabe a minha história, mas querem me julgar. Tem gente sofrendo, tem gente pedindo socorro. A cidade precisa crescer, gerar empregos. O povo precisa ter condições de viver sem a prefeitura. Temos que buscar parcerias para a cidade avançar. Vamos trabalhar muito”, adiantou.

O presidente Marcinho Pessanha lembrou que os trabalhos administrativos não pararam durante o recesso. “Há um histórico de renovação na Casa. Estar aqui pela terceira vez me dá ainda mais responsabilidade. Muitas pessoas se empoderam com cargos e mandatos e acabam se esquecendo do que deve pautar as ações. Quando percebem, já é tarde demais”, concluiu.

Confira a composição das Comissões Permanentes:

Justiça e Redação, Finanças e Orçamento, Obras e Serviços Públicos

Presidente: Fábio Castro
Vice-Presidente: Janderson Chagas
Relator: Rildo Barcelos

Assistência Social, Saúde, Educação e Cultura

Presidente: Simone Flores
Vice-Presidente: Alexandra Moreira
Relator: Ailson Barreto

Assuntos Residuais

Presidente: Janderson Chagas
Vice-Presidente: Fábio Castro
Relator: Mazinho Batista

Acompanhamento e Fiscalização do Fundo Previdenciário do Servidor Público Municipal

Presidente: Ailson Barreto
Vice-Presidente: Cássio Reis
Relator: Rildo Barcelos

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